"Existem Venenos Tão sutis que, para conhecer-lhes as propriedades, temos que nos expor ás doenças que causam."

Oscar Wild.

05 janeiro 2014

Vem ser Começo. Vem ser Fim.

Três.


Dois.


Um.


Fim.


Fim, foi Fim mas foi começo, mas enfim fim, vários fins dentro de um só Fim, vários começos por um único fim, enfim...foi Fim pra você também?

Pra mim um Fim nunca foi tão começo, mas não quero que esse começo seja fim, já vivi tantos fins sem começos, fins que só adiavam o fim em si, já passei fins que começavam lágrimas inexplicáveis, comecei fins que findaram tudo que eu conhecia de mim mesma e que fim diferente que eu tive agora.

Comecei meu Fim olhando nos teus olhos, findei meu começo com o lábio nos teus, quantos fins tivemos dentro desse começo? Quantos começos adiados antes do fim, tudo tem fim, tudo tem que começar para isso, e me explica quantos fins tivemos que ter pra existir esse começo? Me diz ao pé do ouvido que o fim não importa, que poderão ter vários fins, me embala num abraço sem fim, me mostra que o fim não importa a não ser quando ele traz novos começos, me convence a ficar até o fim pra assim poder começar de novo, vem comigo e segura minha mão que eu tenho medo, sempre tive medo de fins talvez tanto quanto eu tenho de começos, vem, faz eu me sentir como se fosse começo todo dia, me faz ter medo até ele ter fim, me mostra que um começo pode ter fim sem nunca acabar.

Vem enfim começar meu Fim.

Vem dar começo que o começo desse Fim começa agora.

Vem começar sem pensar no fim.

Vem findar meus começos com teu Fim.

O começo do nosso fim só ta começando, um começo que pode dar fim a todos os fins, então vem, vem ser começo sem nem pensar em ser três, dois, um. Fim.

04 janeiro 2014

Welcome.

Desculpe, estamos fechados.

Sabe não é nada pessoal, foi uma surpresa pra mim também mas não tão grande quanto deve ter sido pra você, sabe meu querido só não deu mais pra ser, a porta ficou sempre aberta e eu tinha colocado um capacho tão bonito pra te receber, eu esperava você e ... me conta a verdade, você não queria muito entrar não é mesmo? Mas você acabou entrando e eu fiquei tão feliz que não liguei pra lama no capacho, não liguei pros sapatos em cima da mesa de centro, não ligava pra tevê no volume alto só pra esconder minha voz, eu só era feliz por te ter ali, logo ali, te tendo como meu sem nunca querer ser sua dona de verdade, de nada meu querido.

Mas sabe meu querido, eu nunca soube esconder minha surpresa nem minha decepção, e essa foi realmente uma surpresa, um dia a porta passou a parecer mais uma boca por onde você passava pra bagunçar tudo que eu havia arrumado, o barulho já não escondia mais a voz que crescia aos pouquinhos dentro da minha cabeça e que surpresa quando ela me dizia que eu já não queria mais você lá, eu disse meu querido, não sou boa em esconder as coisas e sei que deixei transparecer que de todas as coisas que queria ali dentro a ultima delas era você. Aos poucos os sapatos não deixavam mais marcas de lama, a tevê não gritava mais, aos poucos minha quietude foi voltando mesmo contigo ali e me conta... quando foi que você percebeu? Eu não consigo deixar de perguntar o quanto você tentou mudar pra se manter ali, quantas manhãs você não acordou com a luz do sol no rosto perguntando se quando voltasse a porta ainda estaria aberta, você realmente achou que ela ficaria ali pra sempre? Eu não posso dizer que fui eu porque sabe meu querido, não fui só eu, foi teu barulho, teus modos, foi você e o bem que a sua ausência as vezes me fazia, sabe... foi a falta da saudade, da ansiedade de ver você entrando, foi a falta de amor, eu não te amava mais, eu não queria mais ter teu barulho nem teu silêncio, desculpe meu querido.

E eu mudei tanto não é mesmo? Não era mais sua criança, deixei de ser sua menina, passei a ser mais mulher, foi difícil perceber que eu não concordava mais contigo? Foi assim tão ruim me ver sendo tão indiferente à tua dor? Foi estranho ver que ao teu lado no sofá haviam outras pessoas? Como foi chegar um dia e ver que tua poltrona favorita não estava mais lá? Minha vida nunca foi só minha e eu sempre gostei tanto disso, eu era um café onde as pessoas sentavam pra conversar, sempre fui um porto seguro pra quem eu deixava entrar, o ultimo lugar aberto às 4 da manhã, eu esvaziei tanto quando você chegou e te acostumei tão mal com isso que chegar um dia e ver tanta gente no mesmo lugar deve ter te assustado, me desculpe meu querido.

Hoje em dia o capacho bonito continua lá e as pessoas também, hoje em dia eu vivo sempre cheia de um silêncio barulhento que me faz tão bem meu querido, da pra ouvir o blues que sai de mim de lá da esquina não é mesmo? Acho que voltei a ser mais menina, voltei a ter uma meninisse de mulher e sabe meu querido... quer dizer... desculpe acho que não posso mais te chamar de meu querido, sabe... eu vi que o medo de não ter conforto com a tua ausência era tão bobo. Não sei até onde eu imagino a tua cara encostada na janela olhando aqui pra dentro de vez em quando mas dessa vez o capacho não é mais pra você, o lugar que era teu ainda ta ali mas não mais pra você ocupar.

Desculpe, estamos fechados pra você.

16 julho 2013

Divã



Então... ontem eu abri a terceira gaveta do armário do banheiro sabe, é aquela gaveta que a gente nunca abre por que sempre joga tudo que nunca vai precisar lá dentro mas no fim a gente sempre precisa, e eu não lembro o que é que me fez abrir ela mas eu abri, e lá dentro tinha um suporte pra escova de dentes e deus e nem lembrava mais daquilo, eu comprei logo depois que ele foi embora, comprei dois, não sei porque, acho que eu pensava que ele iria voltar e quando voltasse não podia ficar sem um, mais tarde eu descobri que esses suportes são uma porcaria e que ele não voltou também, então o meu tá lá sozinho, pendurado na parede por uma ventana que solta o tempo todo, pelo menos a cor combina com o banheiro, acho que foi por isso que eu acabei deixando lá a gente sempre mantém as coisas por que combinam, porque ficam bonitas e elas nem sempre são práticas, todo mundo sabe que a escova fica bem do lado da pasta no potinho em cima da pia, mas a gente inventa moda, arruma algo bonito e se convence que daquele jeito é melhor, enfim, depois de um tempo eu percebi que ele não iria voltar, mas o dele ficou lá na terceira gaveta, acho que não joguei fora por precaução não só pro caso dele voltar, mas também se o meu quebrasse eu não iria precisar sair correndo no meio da madrugada pra comprar um novo, faz sentido né? Eu só não sei por que ele não voltou, talvez tenha sido desgaste, talvez as coisas não fossem pra ser, eu sempre me senti uma peça a mais já te falei isso? Ele tinha tudo, e eu sempre me senti como algo desnecessário, e bom, meu suporte nunca quebrou e mesmo assim eu ainda tenho um sobrando então talvez eu fosse mesmo, talvez no fundo eu ainda tenho aquele suporte por que ele é como eu, desnecessário, algo que você deixa na parede segurando sua escova de dente por que combina com o banheiro, mas algo que você nem sabe por que comprou, algo que só fica até lá o dia que não fica mais, até o dia que você percebe que a escova fica muito melhor do lado da pasta em cima da pia e que você não precisa mais daquilo, afinal você já tem tudo, pra que complicar mais não é? Sabe ... ele não vai voltar, mas acho que você já sabia disso, o suporte da terceira gaveta também afinal de contas faz cinco anos que ele não sai de lá, no fundo eu sempre soube, mas a gente acumula tantas coisas desnecessárias na vida que acaba tornando tudo desnecessariamente necessário sem perceber que no fim até o suporte da terceira gaveta tem mais necessidade do que a gente.

06 fevereiro 2012

Seven Devils.

E agora depois de meses abro novamente o bloco de notas, não sei se é uma estranha coincidência ou se as palavras só me vêm à mente quando esta não esta em seus melhores dias, pode ser aquela velha maldição dos românticos do século dezoito que molhavam as respectivas penas no tinteiro para derramar sobre os papeis suas infindáveis dores e pesares sobre as damas vivas ou gélidas em seus túmulos e a escuridão que os rodeava, a depressão daquela época ainda reina nos loucos que se aventuram a soltar no mundo seus demônios.
 Os meus demonios ontem foram tristes, hoje são melancólicos.
Não digo que tive meses de alegria e por isso não encontrei meios de vir e meter a cara numa tela em branco até me sentir satisfeita, não, foram meses bons, mas nem todos os mares só têm as pétalas, os meus principalmente vêm afiados com os espinhos.
Veio ano passou ano e a vida desta pobre escritora mudou drasticamente, abandonei muita gente no caminho, me apeguei com excesso a outras, juntei casais, quase separei outros, arrumei um emprego, engordei mais quilos do que meu guarda roupas poderia contar, foi tudo, e quando me deparo com situações de três, quatro meses atrás, tudo parece tão surreal, tão novelístico comparado aos dias que eu tenho hoje, cama, casa, trabalho, casa, cama, uma trama perfeita de filme francês que levaria seu expectador ao mais puro estado de coma logo após os vinte minutos iniciais.
Mas vamos aos demonios, são demonios realmente tristes, demonios cansados, assustados, levemente raivosos, e estes mesmos me sobem a garganta pedindo licença, com toda educação que lhes dei, e me quebram os maxilares procurando espaço, retendo uma golada de ar antes de caírem em tela e serem apertados contra um notebook fervente que insiste em causar queimaduras de terceiro grau nas coxas de sua dona.
Todos somos cheios deles, não dos notebooks assassinos, mas sim dos demonios, os meus apesar de repetidos, são bem diversos, gosto de separar as categorias: Demonios que crio por causa de filhos da puta, e Demonios que crio por mim mesma, é incrível como os interligados ao setor externo de filha da putagem são muito mais numerosos.
Posso não ser o exato estereotipo de gente depressiva, que se instala nos cafés da paulista com uma echarpe, lendo os clássicos durante horas, só pra depois poder criticar a forma de escrita do autor alegando que a mesma é "pouco refinada para os moldes da época", sou triste, mas de uma tristeza reprimida, sou triste sem ser, ao mesmo tempo em que sou não sou, sou um eterna abobalhada que chora por alegrias e ri de tristezas, uma maldita sadomasoquista sentimental, uma garota completamente normal que raramente deixa as pessoas saberem disso.
Mas tenho que assumir, sou teatral, fui feita para o drama, as lágrimas me são tão naturais que já se tornaram velhas amigas, um de meus maiores talentos é derrama-las, todo aquele drama trancado, drama hormonizado, drama triste, escorrendo pelas bochechas de pele macia, manchando o veludo rosado que poderia estar rindo cinco minutos antes, mas apesar de dramática, sou uma dramática pacifista, choro quieta, solto meus demonios e depois vou me aconchegando com quem não quer nada para um abraço, uma dramática carinhosa meus senhores e senhoras, relevo a maioria das coisas e vou voltando ao normal logo depois de explodir em um frenesi louco de palavras molhadas e esse drama encaixotado, amarrotado e escarrado é um de meus demonios, e quem não o tem? O ser humano descobriu bem antes de ler Shakespeare seu quê de drama, em todos os amores com gosto de sangue, o homem aprendeu a dramatizar o amor e eternizar o drama entre beijos envenenados.

Ao fim, cada um tem seus demonios, alguns são sagrados e aparecem em formas de Deus, outros te encontram em um copo de cerveja gelada as oito em uma noite quente no bar da esquina, alguns você guarda, outros se desgastam, são todos demonios, procurados ou achados, amigos ou traidores, demonios que temos que levar, que nos recheiam, que nos matam ensinando assim que a gente tem que viver, demonios vivos, outros imaginarios mas não menos vivos, são demonios que não vão embora com uma dose de cachaça, são demonios que vão, todos demonios, todos meus, seus, todos feitos exatamente a minha imagem.



Holy water cannot help you now
A thousand armies couldn't keep me out
I don't want your money
I don't want your crown
See I have to burn your kingdom down

Holy water cannot help you now
See I've had to burn your kingdom down
And no rivers and no lakes can put the fire out
I'm gonna raise the stakes
I'm gonna smoke you out

Seven devils all around you
Seven devils in my house
See they were there when I woke up this morning
I'll be dead before the day is done

Seven devils all around you
Seven devils in your house
See I was dead when I woke up this morning
I'll be dead before the day is done
Before the day is done

And now all your love will be exorcised
And we will find you saying it's to be paradise
And it's an even sum
It's a melody
It's a battle cry
It's a symphony

Seven devils all around you
Seven devils in my house
See they were there when I woke up this morning
I'll be dead before the day is done

Seven devils all around you
Seven devils in your house
See I was dead when I woke up this morning
I'll be dead before the day is done
Before the day is done
Before the day is done
Before the day is done

They can keep me high
'Til I tear the walls
'Til I save your heart
And I take your soul
And what have been done
Cannot be undone
In the evil's heart
In the evil's soul

Seven devils all around you
Seven devils in your house
See I was dead when I woke up this morning
I'll be dead before the day is done
Before the day is done