"Existem Venenos Tão sutis que, para conhecer-lhes as propriedades, temos que nos expor ás doenças que causam."

Oscar Wild.

16 março 2010

Sandro Roberto de Oliveira.





Como um lapso, um sonho, você desapareceu ainda mais de minha vida.

Já não o tinha em meu dia-a-dia, você sempre fora como um guardião invisível, pois apesar de não ser capaz de lhe ver podia sempre sentir teus olhos e teu coração sobre mim durante tuas longas ausências, longas demais para a mente de uma criança.
Somente nós sabemos quantas brigas já tivemos, só eu sei quanto teu duro amor me ensinou e só eu sou capaz de dizer o quanto você me faz falta.
As poucas horas que passávamos juntos na antecedência de sua partida foram o verdadeiro começo de nossa amizade, morreria para poder transformar os minutos de hoje nas horas de antigamente.
Já fazem dois anos que tu partiste matando uma parte de mim , nunca pensei sofrer tanto ao perder o que tive por tão pouco tempo, sim já fazem dois anos e ainda sinto as lagrimas em meus olhos, o tempo não curou minha dor apenas a cristalizou.
Eu te amo tanto pai, sinto tanto tua falta, quero ter você aqui mais uma vez, mas o medo de lhe perder novamente é tão grande, o medo de que da próxima vez possa ser para sempre,se é que essa já não é.
Perdoe-me por todas as brigas, admitiria todos meus erros para ter teu sorriso cansado todos os dias ao meu lado, me perdoe toda dor que já lhe causei, apesar de tudo que tem acontecido você é meu exemplo, meu orgulho e jamais pense que sou capaz de lhe esquecer pois parte de mim você levou consigo quando saiu por nossa porta para prosseguir teu caminho.
E o que restou de mim sofre tentando reconstruir os pedaços restantes que por mais quebrados que estejam jamais irão parar de te amar.






07 março 2010

Abdicação

Não entendo por que ainda sinto a leve dor pendurada em meu peito, tudo que criei em mim foi falso.

Então por que acho que a realidade é capaz de se igualar a minhas alucinações?
Por que sinto o desprezo me torturando. E isso dói.
Por que sinto a indiferença. E isso dói.
Por que sinto a vida. E isso é o pior.
A criação de outros mundos dentro de mim é minha alternativa segura de permanecer feliz, minha morfina aliviando a morte degradativa de meus dias, a única coisa que me sustenta o tecido enquanto a matéria que os completava ali não mais habita.
Minha fonte de riso.
Minha queda.
A culpada por minha dor. Minha idealização supera todos os românticos de qualquer geração.
Gostaria de dizer que sonhar me faz bem, porem todos meus sonhos me levam a ruína.
Gostaria de dizer que sou feliz imaginando como seria minha vida, mas a realidade me abate aniquilando a vida existente dentro de meus olhos pouco a pouco.
Gostaria de dizer que isso tudo não e minha culpa, mas não sou capaz de mentir nessas  proporções pra mim mesma.
Por isso hoje abdico de meus sonhos, ou ao menos o faço ate a próxima esquina.