"Existem Venenos Tão sutis que, para conhecer-lhes as propriedades, temos que nos expor ás doenças que causam."

Oscar Wild.

01 fevereiro 2012

01/02/2012

Hoje meu texto não é uma exibição carismática de dor.

Por uma palhaçada do destino, hoje me vi correndo para chegar a uma audiência que se quer era minha, a grande maioria de vocês não sabe nada de mim, tirando o fato de algumas palavras e aos mais atentos meu nome ao fim do blog, para os que não estão familiarizados, eu sou estudante de direito, faço estagio em um escritório na Avenida Paulista em São Paulo, a famosa paulista onde há boatos que até mesmo os mendigos são mais glamorosos, na minha honesta opinião, toda merda fede igual, até mesmo a perfumada em essências francesas.
Vou ser bem honesta, não sei como seguir, nem mesmo como fazer este texto, não sei nada, ou melhor, sei, sei que ele tem que sair de um jeito ou de outro.
Hoje quando cheguei com meus poros chorando suor frio a pequena sala de espera do segundo andar do juizado especial cível de são Paulo, me sentia feliz, orgulhosa até, de ter corrido e chego a tempo de fazer aquilo para que fui designada de ultima hora, me deixei cair em uma das poltronas de espuma fofa e esperei a audiência que chegou, mas muito mais atrasada do que eu.
Enquanto esperava ainda orgulhosa de meu feito, havia realizado o percurso do Trianon até o juizado em cerca de 15 minutos, a custo de muitos empurrões, licenças e maldições, mas estava lá, limpando meus óculos borrados pelo calor e me abanando o melhor que conseguia com a pasta que havia trazido com a defesa, em um de meus olhares que lancei pela sala me vi fitando o documento da senhora que sentava ao meu lado, era a autora que movia a ação contra o cliente do meu escritório, uma senhora de cerca de sessenta e poucos anos, com os cabelos tão ralos que era possível ver o couro cabeludo brilhando sobre a fina camada negra que o cobria, uma dentadura escura e mal feita na boca, óculos pequenos que cobriam olhos gentis, trajava uma blusa Pink combinando com o batom e algumas poucas joias.
Aquela não era minha primeira audiência, não posso dizer que estava acostumada a lidar com a parte contraria de um processo, mas não era exatamente uma virgem do processo.
Quando entrei na sala bem iluminada envergonhada do estado em que se encontrava minha identidade, que estava realmente em uma situação lamentável, mal sabia que sairia de lá muito pior, me sentei ao lado direito da mesa representando o requerido e assim começou a audiência.
Em um relato breve o caso era sobre movimentações na conta corrente da autora que a mesma não reconhecia a soma retirada sem consentimento dela foi de exatos mil e quinhentos reais, nossa defesa, que posso dizer que estava porcamente elaborada, não por incompetência do advogado, mas sim por que era explicitamente um caso de fraude de cartão, até mesmo um leigo perceberia, sendo apresentados os fatos a juíza em questão, o qual a graça não merece menção, começou a sentenciar aquele fatídico caso, sei que não sou uma bacharelada em direito, ao contrario, sequer consegui passar do primeiro ano ainda, mas ao decorrer das palavras da juíza fui vendo que esta, maldita, dizendo-se de passagem, estava dando como improcedente a ação, a pobre senhorinha que estava de frente pra mim, me olhando nos olhos e murmurando de vez em quando que era muito difícil perder aquela quantia de dinheiro, mal suspeitava de que se tratavam as palavras da mulher que sentenciava a pequena causa dela, ao fim da audiência aqueles olhos gentis e confusos sequer entenderam que haviam perdido a causa, saíram desamparados procurando uma advogada que ficava para auxilio na sala de espera para desvendar o que havia sido feito com seu pedido, enquanto ela que sequer havia entrado acompanhada de um advogado, saia confusa, também saia eu com a cabeça pesada de culpa, não fui culpada daquela pobre senhora ter perdido a ação, sequer o escritório em que eu trabalhava, o próprio banco, quem eu estava representando na audiência não tinha uma culpa latente no desenrolar dos fatos, a partir do momento em que ambas tínhamos adentrado a sala de audiência, uma juíza sem senso nenhum de justiça havia de proceder no papel de deus, sim, aquela pequena mulher, trajando meias finas de cor creme e sandálias de plástico pretas, um visual extremamente brega, como se pode notar, ainda mais para uma mulher do porte daquela, aquela mulher tinha nas mãos o poder da justiça, provavelmente é para chegar aonde ela chegou que muitos alunos prestam todos os anos vestibular para entrar em uma faculdade de direito, para ser por poucos momentos em um dia, aquela velha deusa da justiça, com uma balança em uma mão e uma espada na outra, vendada e serene, e exatamente aquela mulher virou as costas para tal justiça.
Sei que não fui culpada, mas ver a bondade e a confusão nos olhos daquela senhora me fizeram um monstro aos meus próprios olhos, pensei como tudo podia ter dado errado, o metrô parado, eu podia não ter chego, nós podíamos ter perdido a causa por revelia, mas infelizmente deu tudo certo, cheguei a tempo, orgulhosa de meu feito, que tanto me causou pesar depois.
Na verdade não cito nenhum nome, pois nenhum é importante nessa historia, nem mesmo o meu, escrevo ela pra tirar de mim essa sensação gasta de fragilidade, essa culpa que me corrói sem ser minha, o que aconteceu hoje me fez perder muita fé naquilo que sempre sonhei fazer, para os que não sabem também desejo ser juíza, vi que nem sempre a justiça é justa, vi que nem sempre ela se encontra nas mãos de quem é merecedor dela, mas ao mesmo tempo em que tive vontade de deixar aquele mundo que constituía uma justiça tão vazia, tive certeza que era aquilo que lutaria até o fim para conseguir, não para reparar os danos que ficaram marcados hoje, mas para dar a justiça alguém que tente ao seu máximo prevenir essa justiça vazia que transforma grandes empresas em lobos fantasiados de cordeiro e onde olhos gentis perdem a fé.
Assumo que chorei relembrando os olhos daquela senhora, acho que todo aluno que sonha em fazer direito deveria passar por isso antes, pela experiência de ver a justiça a qual ele estuda e aprende a amar sendo destruída, vendo a bondade sendo dizimada e jogada de lado, ter a sensação de ser um monstro quando sabe que defende a parte errada, ver alguém inocente não entender o porquê a justiça que deveria ser suprema lhe deu as costas, não são todos que aguentariam o que eu senti hoje, muitos não sentiriam nada e mal se lembrariam deste dia.

Eu vou lembrar.

19 novembro 2011

Puzzle




A rotina era a mesma, acordava como si mesma, se escovava pra fora da própria boca e caia no mundo como só mais uma foto bonita, se escondia por trás de algumas palavras mal humoradas e alguns sorrisos verdadeiros, era sempre a mesma, gostava das coisas como eram, de como tudo permanecia, odiava perder as coisas em sua vida, nada era adjacente e cada peça que um dia já a completou tinha a estupida tendência de fazer falta uma hora ou outra, essa é a história de uma dessas peças, ou de algumas varias delas.


No começo aquilo só estava ali, não rendia nada mais que algumas boas risadas, era divertido, até confortante saber que depois de qualquer dia teria aquilo para fazê-la rir, com o tempo foi conhecendo mais o motivo de tanto riso, conheceu aos poucos suas dores, e as conversas que antes eram cheias de gente, agora ficavam só entre os dois, foi precisando agora, não mais do riso, mais da companhia, o conforto era de ver aquilo lá, não importa com qual humor, coisa que variava mais do que as vezes que ela trocava de roupa em um dia, sentia as lagrimas nos olhos quando essas também rolavam do outro lado do seu mundinho onde seu conforto permanecia, longe demais pra ela se sentir realmente completa, perto demais pra ela deixar aquilo simplesmente ir.
Um pouco mais de tempo e aquilo se tornou essencial, quando não ficava grudada no computador, grudava no celular, esperando, sinais do tal conforto, sorrindo quando estes apareciam, vezes por outra ficava horas imaginando algumas daquelas palavras ditas de verdade, e não só impressas nos pixels que a cercavam, lembra-se de muitas palavras até hoje, velhas palavras que não vão desgastar nunca, palavras que foram construindo um amor, silaba por silaba, e que amor estranho era aquele, tão fraternal e tão carnal ao mesmo tempo, ao mesmo tempo em que queria embalar aquele conforto nos braços como um irmão pequeno, queria os beijos e abraços, queria aquele conforto pra si, um conforto que ficava muito longe, e a distancia que era tão física foi afastando o emocional, até que ela se trombou com alguma outra peça por ai, e essa peça insistiu e ficou, não cobriu, mas substituiu um encaixe antigo do antigo conforto, tão novo e tão antigo ao mesmo tempo, mas essa peça, a nova, era tão fascinante que foi lhe ganhando o sentimento, e a distancia era curta, os braços reconfortantes estavam logo ali, tão perto, tão tentadores, tão reais até o dia que o antigo conforto resolveu lhe bater a porta, e ela finalmente sentiu aqueles braços envolta de si, viu a face que tanto havia lamentado seus temores, os olhos que tanto haviam lhe feito rir, tudo isso, e de tão longe, ela sempre soube que aquela era uma peça especial, sabia que nunca iria deixar de amar aquela peça, mas não sabia mais que tipo de amor, a nova peça a conquistou mais do que ela podia, e queria imaginar, meses depois já estava apaixonada por aquela peça tão convidativa, e foi ali, depois de meses, nos braços do antigo conforto, que ela percebeu que aquele amor havia mudado, e o quanto havia mudado, amava aquela estranha peça como um irmão, ele jamais deixaria de ser um conforto, era uma peça-gêmea, enquanto a nova peça, bom àquela peça era outra das peças únicas que ela sabia que só iria encontrar uma vez na vida, tinha mais do que um encaixe perfeito, havia se tornado a única peça perfeita para ela.
Mas por mais encantada e por mais que ela tivesse começado a amar o novo conforto que tinha, aquela nova peça, ela nunca deixara a antiga pra trás, manteve ela ali, fiel como uma irmã, como o que ela podia ser, até um dia que aquela peça, aquele conforto achou outro conforto para si, outra peça pra substituir a peça que ela, gostaria, que tivesse ocupado na vida daquele conforto, tentava convencer a si mesma que não era ciúmes que ela sentia, mas no fundo sabia que era, mas sabia conviver com aquilo, seria hipócrita se não soubesse, mas as coisas não foram fáceis, aquela nova peça machucava seu antigo conforto, o fazia derramar as mesmas lagrimas que ela já quisera muito secar, aquela nova peça começou a deformar aos poucos seu conforto, e ela, bom ela era apenas uma garota, não sabia o que fazer, tinha seu próprio amor, mas não conseguia ver sua peça-gêmea morrer por um amor tão desafortunado, fez de tudo, foi o seu conforto quando este precisou, mas nem isso funcionava, até um dia em que aquela peça, que era tão especial, tão singular, aquela antiga peça pareceu tão bizarramente estranha, que ela subiu suas muralhas e ativou o modo defensivo que a muito estava adormecido em si, aquela foi à única vez que havia tido a coragem de magoar aquele conforto, e como ela o fez, sofreu por dias, quieta, fechada no próprio mundinho, sentida, depois de muito tempo aquela peça foi lhe voltando, aos poucos, dizia que seu novo conforto estava mudando, mas por dentro a garota nunca conseguia sentir aquele seu conforto feliz, completo, com algum encaixe que lhe fosse perfeito.

Hoje a garota viu um texto de seu antigo conforto para sua nova peça, e sem saber por que, a garota chorou, se sentiu perdida, não tinha seu conforto a seu lado, nem mesmo ele que estava teoricamente tão perto, e pela primeira vez se sentiu ameaçada, como se tivesse perdendo aquele velho conforto, aquela sua peça-gêmea, aquela peça que entrou tão espontaneamente em sua vida, e que ela pela primeira vez via o perigo de perder.

27 outubro 2011

Cold Heart Lonely Bitch.






Não que ela não apreciasse a solidão, fazia isto, mas solidão em excesso machucava, a carência despontava um pouco mais firmemente do que o normal, mas ainda sim conseguia permanecer a mente sã e solida a vista de uma tarde sem nenhuma outra viva alma, virtual ou real, os amigos que eram escassos já não lhe faziam mais festa, o namorado, bem, que ele ficasse lá onde quisesse, a mãe estava fora e nem mesmo o cão lhe fazia companhia, o livro que descansava ao seu lado já não parecia querer ser lido, a música parecia barulho, o dia apesar de ensolarado, ficava opaco, e a vista das janelas sem cortinas mais parecia uma boca escancarada pro mundo lá fora, perdera a vontade de realizar velhos sonhos, perdia a oportunidade também, sentia raiva ao som do riso de outrem que vinha lhe incomodar pelo ar pesado de calor, sentia falta das tardes em que passava lendo com o mundo a lhe observar, e não o contrario.

A noite chegava a ser pior, a escuridão que antes era amiga, agora ficava opressora e vazia, não tinha nem mesmo a companhia do luar, ouvia a TV que tagarelava para a mãe na sala, e mesmo quando tentava se sentar e conversar com esta, fosse com a mãe ou a TV, era quase que completamente ignorada e voltava ao seu lugar, se tinha algum alivio com o computador, este lhe trazia problemas de outras pessoas, quando mal conseguia resolver os próprios, mas de todos os males este era o menor, até por que o ser humano nasceu com a incrível habilidade de cuidar da vida dos outros, esquecendo-se da podridão da própria enquanto se foca nos erros que terceiros estão cometendo, a melhor terapia é a que os próprios psicólogos utilizam.

Não sabia mais o que fazer com o tempo, ele agora se arrastava mais pesado que as nuvens que iam e vinham no céu durante o dia ameaçando abrirem-se e despejarem sobre a terra todo seu peso, pegou-se pensando com saudades os tempos dos banhos de chuva com os vizinhos, quando ficava de pijama deitada no concreto quente do estacionamento sentido os pingos pesados de chuva lhe amassar a pele, sentiu falta do tempo em que era dona das risadas que hoje tanto a irritam, olhou no espelho e viu um rosto jovem, alguém que conseguiria passar por 16 ou 25 anos se quisesse, viu mais além e olhou o quanto havia envelhecido, não tinha mais vontade de sair com quase estranhos e passar as madrugadas com etílico e algum outro corpo jogado ao seu lado em qualquer pista escura que pudesse encontrar, não tinha mais vontade de sair do conforto da própria casa e encarar o mundo com todas as faces que este tinha para lhe apresentar, havia ficado medrosa, temia o mundo e temia a solidão, as paredes esmagavam seus olhos que vagavam sem rumo e sem proposito procurando algo em que se focar, havia se trancado em uma bolha que chamava de solidão, ela mesma havia feito isso, percebeu como havia começado a afastar a companhia das pessoas, de como havia cavado a própria cova, deixando-se ficar em um mundo que odiava, em um mundo que a odiava de volta.

20 outubro 2011

Lonely Day.






Amassou no peito o livro que carregava, era a única coisa a qual podia se apoiar, seus pés doíam amassados em um salto desconfortável e se amaldiçoava por ter escolhido ir vestida como gente a um evento tão passável como o da noite passada, o vento frio entrava pelo casaco e pelo fino vestido que usava, as pernas nuas e brancas quase brilhavam a fria luz que saltava das ultimas horas de dia, apertava o choro nos olhos mais arduamente, não se permitiria chorar na rua outra vez, limpou nos olhos as únicas lagrimas que escaparam e continuou a andar pelas ruas desniveladas quase cambaleando sobre o salto.
Olhava em volta sem reconhecer o caminho, olhou para si mesma e não viu nem mesmo o vislumbre da garota que era há meses atrás, sentiu-se mais perdida do que se estivesse mesmo no caminho errado, percorria com os pés descalços o cascalho e as folhas mortas acumuladas dentro de si, fazia tanto tempo que não ousava por os pés naqueles caminhos, a terra batida estava infestada com ervas daninhas e o mato havia avançado quase todo o caminho deixando apenas uma fina linha de pedras onde antes corria sua estrada, dentro de si, ela chorou, viu no que havia se tornado, em tudo que deixou de lado por tanto tempo, nos princípios que havia jogado fora, as palavras que havia abandonado, as pessoas que havia desapontado via a si mesma nua e suja com uma garrafa entre as pernas, bebendo do liquido quente como criança sorvendo o leite do peito materno, bebia tudo que havia feito, os pecados que havia cometido, bebia a sujeira dos atos, das palavras, do abandono, e bebia sozinha, assim como estava, e sempre esteve, nenhuma das mãos que tão presentes estavam no riso estavam lá agora para lhe limpar as lagrimas dos olhos, abriu os olhos e viu os sinais de luz, os carros que passavam ao seu lado, os estranhos que fitavam aquela garota incomum andando torta por ruas tortas com pensamentos tortos. Fechou novamente os olhos. Dentro de si sua consciência que ali estava, decidira chama-la assim, fitou seus olhos nos seus, o cabelo e o corpo em um só nó, cheirava como se a muito não visse água, estava machucada em varias partes, e no meio do peito um corte passava rente entre os seios e descia-lhe até o umbigo, com um sorriso que lhe cobria o rosto não deixando nenhum espaço para sanidade ali, a consciência a pegou pelas mãos, beijou com lábios secos e ásperos os dedos rígidos de medo, e com uma ultima olhadela enfiou a mão entro do próprio corpo por entre o corte “agora se sinta por inteira minha querida" aterrorizada tentou retirar a mão das entranhas úmidas, mas tudo que conseguiu foi retirar um pouco do antebraço, e o sangue negro cobria a pele como se fosse derramado na neve, o cheiro de podridão a atingiu e nunca havia sentido tal coisa, tamanho terror, não se sentia mais capaz de abrir os olhos "vai em frente, você sempre disse se conhecer tão bem, não é mesmo?" e a criatura consciência, que aos poucos se parecia mais animal e menos humana, forçou seu braço mais adentro de si, a garota desabou e a consciência caiu de joelhos diante dela, limpou-lhe as lagrimas com as mãos sujas de sangue podre "pobre criança", ela sabia muito bem que não era mais criança, gritou com fúria, com dor, com medo, gritou até não restar mais folego, abraçou a consciência que ficou rija diante de si, abraçou a podridão que havia nela e suavemente retirou a mão que ainda residia dentro do buraco ensanguentado no peito de si mesma, manchou com mais sangue a alva pele de seu corpo limpando as mãos e beijou o monstro humano que havia dentro de si nos lábios sussurrando um pedido de desculpas.
Caiu mais ainda dentro de si, em outro nível do próprio inferno, não queria mais aquela podridão dentro de si, não queria acabar assim como se via, sabia tudo que havia feito de errado, mas nada é permanente a não ser a memoria, e ela sabia, que tudo lhe assombraria pelo resto dos seus dias, não por ter traído a confiança de outro alguém ou por ter machucado algum outro coração, mas por ter traído a si mesma e se perdido no mundo em que ela mesmo criara deixando de fora a melhor parte de si, se levantou na escuridão fétida e com os pés descalços, cavou o terreno que havia em sob si e lá deixou suas lagrimas virarem vida, não ficou para saber o que aconteceria, fechou o buraco e abriu os olhos, estava sentada no ônibus para casa, os pés ainda doíam feito o inferno, ainda não se sentia feliz, mas via que agora sabia o caminho de volta.